Parentes de Antônio Preza e outros 38 recebiam até R$ 40 mil por mês em filantrópico

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A investigação aponta que no alto escalão da Santa Casa estavam nomes como da mulher do ex-presidente Antônio Preza e o primo dele, Otávio Preza.

O vereador Toninho de Souza afirmou que uma análise na folha de pagamento da Santa Casa revelou que 40 funcionários do alto escalão da unidade filantrópica teriam recebido salários vultuosos de R$ 14 mil a R$ 40 mil. Entre eles estariam nomes de familiares do ex-presidente do hospital, o médico Antônio Preza.

De acordo com o vereador, na lista de familiares empregados na unidade estariam: Otávio Preza, que é primo do ex-presidente, e teria o salário de R$ 15 mil; Telma Preza, esposa do ex-presidente, que trabalhava no setor de doações do hospital e recebia o salário de R$ 15 mil. Ela saiu do cargo depois que o marido renunciou à Presidência.

“Não tem empresa privada que paga esses valores a funcionários do setor administrativo. Nem a Amaggi, que é uma multinacional faz isso”, declarou Toninho.

As informações foram levantadas pela assessoria do parlamentar e fazem parte do escopo das investigações da CPI na Câmara de Cuiabá, em cima dos contratos de prestação de serviço entre a Santa Casa e a Prefeitura da Capital. Toninho é membro da CPI.

A lista traz ainda o nome da  esposa de outro ex-presidente da Santa Casa, Luiz Felipe Sabóia; Candelária Elizabeth Sabóia, que atualmente trabalha no setor de doações do hospital, e que na época de Preza recebia R$ 13 mil pela função. Já segundo as investigações, atualmente ela recebe R$ 15 mil.

Salários x falência

Toninho ressaltou que os salários pagos à diretoria eram muito altos e podem ter contribuído para a crise financeira do hospital filantrópico, que, segundo a CPI, possui dívidas de R$ 100 milhões.

“Não tem empresa privada que paga esses valores a funcionários do setor administrativo. Nem a Amaggi, que é uma multinacional faz isso”, declarou o parlamentar.

Os trabalhos da CPI encerram na tarde desta quarta-feira (13), quando os vereadores irão interrogar Preza na Câmara de Cuiabá.

Quanto ao objeto principal de investigação da comissão, que são contratos entre a Prefeitura e Santa Casa, Toninho asseverou que, com base nos documentos já colhidos, o Município não deve nenhum repasse ao hospital: “Pelo contrário, e a Santa Casa que deve R$ 24 milhões em serviços não prestados à Prefeitura, como a realização de exames e cirurgias”, acrescentou Toninho.

“Minha esposa trabalhou na Santa Casa de voluntária; ela nunca recebeu nenhum centavo por isso. Jamais em tempo algum, um funcionário da Santa Casa ganhou R$ 40 mil”, rebateu Preza.

Outro lado

À reportagem, o ex-presidente Antônio Preza negou todas as acusações de Toninho.

O ex-presidente da Santa Casa alega que nunca existiram salários de R$ 40 mil no hospital e o maior vencimento pago seria de uma funcionária no valor de R$ 20 mil, que trabalha há mais de 20 anos na Santa Casa.

“Ela recebe esse valor pelo tempo de serviço”, disse.

Negou que sua esposa recebia R$ 15 mil, mas confirmou que trabalhava no setor de doações, mas de forma voluntária.

Quanto à Candelária, esposa de Sabóia, disse que na sua gestão ela recebia R$ 13 mil, mas que esse salário foi posteriormente reduzido, mas que não se lembra do valor.

Preza também confirmou que o seu primo, Luiz Otávio Preza, também trabalhou na Santa Casa, mas não divulgou o salário dele. Se limitou a dizer que ele não fazia parte da direção do hospital.

“Não sei de onde o Toninho tirou essas informações; totalmente inverídicas. Minha esposa trabalhou na Santa Casa de voluntária; ela nunca recebeu nenhum centavo por isso. Jamais em tempo algum, um funcionário da Santa Casa ganhou R$ 40 mil”, rebateu Preza.

Até a publicação dessa matéria, o  não conseguiu entrar em contato com os outros citados.

Hospital fechado

Desde a segunda-feira (12), a Santa Casa paralisou os atendimentos alegando falta de condições pelo fato de atraso em repasses da Prefeitura de Cuiabá.

O prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) emitiu nota, na terça-feira (12), afirmando que estava analisando documentos sobre a viabilidade de fazer repasses financeiros à Santa Casa de Misericórdia, que de acordo com a Prefeitura, teve os pagamentos suspensos por recomendação da Delegacia Fazendária, já que o hospital seria alvo de investigação, o que é negado pela direção da unidade de saúde.

A Prefeitura havia se comprometido repassar o valor R$ 3,6 milhões para custeio de serviços emergenciais.

A nota informa que o Município não é obrigado a cumprir os repasses, já que a Santa Casa não cumpriu com o acordo firmado entre as partes.

“Foram repassados R$ 24.866.260 para a instituição, mas os serviços hospitalares que deviam ser ofertados aos cidadãos não foram executados. Sendo o motivo da dívida da Santa Casa com a Prefeitura de Cuiabá”, afirma trecho do documento.

FONTE:

MARCIO CAMILO
DA REDAÇÃO

RepórterMT

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